Sobre o artista

Príncipe das cores e pinceis entre flores e espinhos
Colheu e brincou a pintura

Na serra de Mundaú, no agreste pernambucano, lá no alto é Garanhuns a princesa do agreste. Situada a grande altura teve o título que merece: a Suiça Pernambucana.
Foi lá, no ano de 1952 que a princesa viu nascer, brincar e sonhar um filho meigo e esguio de um clã de gente simples. Seu nome? Nerival Rodrigues da Silva, príncipe das cores e dos pinceis.
Até os 6 anos de idade, ia com sua mãe para as colheitas, onde ela o deitava na rede sob a sombra das árvores. Da rede via sua mãe, vezes colhendo café, vezes colhendo algodão e outros mais. Tempos depois lá estava ele vezes colhendo café, vezes colhendo algodão e também outros mais. Sempre que sobrava-lhe tempo entre a colheita e o estudo ele brincava com seus amigos, pensando ser Tarzan se agarrando nos cipós das matas, correndo pelos campos mais belos de nossa Terra, fazendo palhoças de índio com as palhas secas caídas dos coqueiros e também rabiscando os chãos e paredes com pedaços de carvão, assim ele cresceu, forte, alegre e resistente como o ritmo de maracatu. Aos 8 anos de idade iniciou os estudos e durante o primário foi considerado o melhor da turma (um menino prodígio), recebendo um presente dos professores no quarto ano do primário, um estojo de lápis de cor, um jogo de aquarela e um bloco de desenho, isso lá pros lados de Marília – SP onde ganhou o seu primeiro concurso de pintura, recebendo tintas para pintura a óleo como prêmio, sem conhecer uma tela ele usava essas tintas pintando em cartolinas que eram vendidas a R$ 20,00 e R$ 30,00 dinheiro de hoje. Dinheiro que ele usava para comprar mais tintas. Surgiu então o sonho de ser um artista, ou seja, viver da arte.


Exposição, fases e canções
Já na adolescência, em 1968 um fato histórico marcante na vida de Nerival lançou-o no universo da Arte Plástica: a destruição do bosque do parque Dom Pedro II em São Paulo que o despertou para um protesto poético, em sua primeira composição artística em óleo sobre tela, motivado pela preocupação do ecossistema. Em 1973 conheceu Hélio Ribeiro, filósofo, humanista e radialista, que se tornou seu grande amigo e que então lhe deu grande incentivo para expor suas pinturas ao público na praça da República. Nessa época ele era um impressionista sob a influência de Vicent Van Gogh um dos maiores impressionistas. Pintando coisas de nossa Terra, inspirado pela música de Luiz Gonzaga: Asa Branca, música que ficou gravada em sua mente por falar de um pássaro que é o seu símbolo nordestino ou melhor o nordestino é uma asa branca retirante, e Blowing in the Wind, de Bob Dylan, música que fala do humanismo do qual ele passou a adotar em seu conceito de vida.
Ali continuou a pintar e expor até em 1979. Viveu nessa época o movimento hippie de grandes filósofos. Em 1982 voltou a Garanhuns para fazer sua primeira exposição individual e ficou por volta e 1 ano e 3 meses convivendo com outros grandes artistas nordestinos que lhe influenciaram a deixar de pintar o Surrealismo que vinha pintando desde 1979 para pintar o Cubismo mesclando algumas coisas de Lelam e Pierre Chalita de Maceió, e também a de Picasso o pai do Cubismo. Foi também uma fase curta do Cubismo que ficou de 1983 a 1986. Em 1986 teve os primeiros contatos com Valmir Aiala um crítico e editor de artes do jornal do Brasil que disse: "a alma do seu trabalho está fincada no primitivismo procure Waldomiro de Deus e conviva mais com ele", assim o fez, também em 1986 foi participar do salão de artes plásticas em Embu das Artes, onde conheceu o físico nuclear e crítico de artes Mário Schemberg e João Rossi, escultor que disseram: “seu trabalho se identifica com o trabalho de Henri Rousseau, o primeiro primitivista naif da história da arte internacional”. E por isso até os dias de hoje ele vem pintando com o seu estilo já definido como o primitivismo naif e expondo no Brasil e no exterior como: Holanda e Marrocos, que lhe deu o prêmio de paleta de ouro internacional de Robbat, Chile, Costa Rica, Portugal, Espanha, Japão, Estados Unidos e tantos outros.

Para sorte de todos
Trabalhou com operário de 1969 a 1982, nas empresas IBM do Brasil, NSK do Brasil e Cia Suzano de Papel e Celulose, sofrendo muito com isso. Por ser de família simples teve de ser operário, um pedreiro e um lavrador, porque tinha de ajudar no sustento da casa. Em 1982, para nossa sorte, ele decidiu parar de ser operário. Pintou com todas a suas cores e vidas as belezas e tristezas de nossa Terra como por exemplo os algodoais, cafezais, engenhos, senzalas, festas, caboclos, retirantes e também nossa cidade boijyana que o recebeu em adoção com prazer e com carinho. Ele sempre procurou lembrar as belezas lúdicas da vida interiorana em suas telas de festas juninas com o mais belo anoitecer diante das músicas e danças em volta de uma fogueira, as festas do divino espírito santo com suas bandeiras e igrejas, as congadas com os negros que tanto admira e defende, os pantanais com suas onças, águas e tuiuiús, as flores de cacto que ele tanto viu brotar e se abrir, e também os mochileiros retirantes que migravam em busca de sobrevivência na nossa fauna sertaneja. Ele adora as belezas da mulher, belezas como a de gerar um filho, de ser solidária e carinhosa.

Curriculo Técnico

Nasceu em Garanhuns. PE - Brasil. em 23/12/1951. Viveu parte de sua juventude em ambiente de fazendas e pequenas cidades do interior brasileiro. Sua vocação para a arte despertou cedo, logo aos nove anos de idade, durante as aulas de Educação Artística do 1° Grau escolar. Foi no ambiente interiorano que o artista autodidata buscou fundamentar a temática para as suas obras. No início trabalhou com guache, aquarela e lápis-de-cor. Em 1968 passa a trabalhar na técnica a óleo sobre tala, que adotaria como definitiva na sua carreira.

Durante os primeiros 15 anos de pesquisas, em seu trabalho como artista amador, sobrevivia de várias atividades: foi lavrador, vendedor de frutas, verduras e doces como ambulante. Trabalhou em oficina de confecção de sapatos e derivados de couro, em fábrica de charretes e carrocerias de caminhão. oficina de pintura publicitária etc. De 1970 a 1973 trabalhou na IBM do Brasil, em São Paulo e de 1974 a 1977 na NSK do Brasil, em Suzano. De 1978 a 1982 na Companhia Suzano de Papel e Celulose, seu último estágio como operário.

A partir de 1982 passa a viver exclusivamente da atividade artística, procurando desenvolver uma série de pesquisas mais acirradas rumo à pintura profissional.

Participou de vários projetos culturais no Brasil e no exterior.

Esteve em viagem profissional de pesquisa no Pantanal e também na Bolívia, em 1980.

Em 1982 passa a viver e pintar fixado no nordeste brasileiro, onde expôs e desenvolveu pesquisas nos Estados de Pernambuco, Alagoas e Sergipe.

Hoje Nerival Rodrigues é um cidadão do mundo, um verdadeiro artista, sem fronteiras, graças à qualidade de seu trabalho. Onde está, ali reside a sua arte, a sua cultura, a cultura do seu país, do seu estado natal, e a cidade onde nasceu. Desenvolve constantemente várias atividades culturais, com exposições coletivas e mostras individuais. Nerival Rodrigues é alguém que não descansa. Sempre com novas idéias, em 83 monta a mostra "Sertões do Brasil" na Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.

Em 1985 participa de vários projetos no Museu de Arte Contemporânea de Americana e Campinas.

Em 1986 inicia projetos na cidade de Londrina - PR, até o ano de 1987.

É a sua arte, a sua maneira de contar a sua vida que Nerival Rodrigues leva em todos os cantos, mostrando o seu Pernambuco, o seu olhar, o seu povo.

Em 1986 participa da mostra Internacional "BraziI/Hollanda", no World Trade Center de Amsterdam, e em 1987 recebe o prêmio "Palheta de Ouro" Internacional em Rabbat, Marrocos.

Em 1988 faz mostra individual na Galeria de Arte do Memorial JK, em Brasília - DF.

Em 1989 recebe o prêmio "Medalha de Prata" no Salón Libre de Viria dei Mar - Chile.

Em 1991 parte em excursão profissional para a América Central, onde desenvolve o projeto "Arte Brasil" na Casa de Cultura de Herédia, e volta no ano seguinte a convite do Embaixador brasileiro Jorge Luiz Rangel de Castro, quando mostra seu trabalho na sala Brasil da Embaixada e faz palestra para estudantes da UCR (Universidade de Costa Rica), além de participar do Simpósio "Cultura Latina em debate".

Em 1993 faz mostra individual no Hotel Meridien, no Rio de Janeiro. Participa, ainda, da Feira Internacional de Esportes do Brasil no Expo-Center Norte - São Paulo, promovida pelas empresas Pelé, Sports & Marketing e Lemos Britto - Congressos e Feiras. Nesse mesmo ano participa do Festival de Repentistas do CTN, em São Paulo.

Em 1994 é convidado a participar do projeto "Father of days, father of njght" de Isabel Bing, baseado em letras de músicas de Bob Dylan (projeto autorizado). No mesmo ano participa da mostra "Brasil, 500 anos - Uma janela para o futuro", no mezanino do Masp (Museu de arte de São Paulo) com o apoio do Bank Boston.

Em 1998 é convidado a participar do projeto "Vera Cruz, um sonho paulista", no MUBE (Museu Brasileiro de Escultura), em São Paulo, ao lado de artistas como Aldemir Martins, Gustavo Rosa, Antonio Carelli, entre outros, por ocasião dos 50 anos de aniversário da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, onde homenageou o ator e produtor cinematográfico Mazaroppi. Também nesse ano participou da mostra "Brazilian Art in Washington - USA".

Em 2000 faz viagem para Europa e expõe suas obras na cidade de Barcelona – Espanha e em Lisboa - Portugal.

Em abril de 2001, influenciado pelo que viu e sentiu na Europa, Nerival parte para um projeto um pouco mais ousado e ambicioso, quando idealiza e funda a Bienal de Arte do Alto Tietê.

Em 2003 faz mostra individual no Museu do Homem do Nordeste, da Fundação Joaquim Nabuco, em Recife, com o apoio do Ministério da Educação.

Em 2005 executa um mural de 120 m2 para o Cenesp (Centro de Negócios de São Paulo), na Rua 13 de Maio, 717 - Bela Vista - São Paulo.

Diversos

Doações de direitos autorais para LBA (Legião Brasileira de Assistência) Guia y Scouts de Chile, FEAC (Fundação das Entidades Assistenciais de Campinas) - SP.

9 cartões de natal para FEAC Campinas

1 cartão para CW

3 para LBV

2 para o Fundo de Solidariedade da Prefeitura de Mogi das Cruzes

Capas de disco e CD pra CTN (Centro de Tradições Nordestinas)em São Paulo concurso de repentistas do nordeste

Capas disco e CD do Cantor Nordestino Téo Azevedo - Auto Belo no Vale do Jequitinhonha-MG

Capa do Dicionário Catrumano, sobre palavras típicas regionais do nordestino

Capa do CD de Cacá Lopes em São Paulo

Capa do CD Festa do Divino de Mogi das Cruzes - SP

Capa do CD e Cenário para o festival de Música caipira em homenagem aVTom Zé o Astronauta Libertado Em Londrina - PR

Capa da Lista Telefônica de 1993 de Mogi Das Cruzes

Cartões telefônicos - para telefone público da empresa Telefônica

Acervos de Domínio Público

Museu de Arte Primitiva - Assis - SP, Casa de Cultura de Israel - São Paulo - SP

Centro Cultural Lemos Britto - Campos do Jordão - SP

Associação dos Médicos de Santos - SP, Memorial Juscelino Kubistchek - Brasília - DF.

Casa de Cultura de Herédia - Costa Rica.

Suas Obras fazem parte de acervos particulares de países como: Austrália, Alemanha, França, Costa Rica, China, Chile, Portugal, Suíça, Israel, Itália, EUA, Japão, Canadá, etc.

 

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Minha filosofia

Amo a vida, porque sem ela, não existe cor, amor e a flor que traz felicidade ao nosso interior.

Posso ver brilhar a força do amor, as asas da liberdade. Posso ver nascer um novo dia, dentro de mim. Porque, voando neste céu infinito, a vida tem muito mais vigor e motivos para sorrir. Não deixo passar um só detalhe das obras, de encanto e luz.

Nunca deixe seu jardim se regar com lágrimas de dor, mas sim com o bálsamo do amor.

Assim seu rosto se desfigura pelo sofrimento, a flor notará, se se entristecerá no mesmo momento, e acredite é uma dor que não dá para explicar, a dor de ver as lágrimas de uma inocente flor. Por isso a pintura cessa qualquer pranto, e faz seu jardim se enriquecer em cor, luz, vida e alegria.

Minha paixão

Quando estava adentrando pela primeira vez no mundo da arte através da pintura ganhei mais forças para viver

Enclausurado em um mundo baseado em quatro paredes e nada mais, meu coração festeja sua liberdade, como um pássaro festeja a saída de uma gaiola, como um prisioneiro festeja a saída de uma cela. Assim feliz, meu pobre coração comemora até hoje essa liberdade que nem todo o tesouro do mundo pode pagar. Voa como uma águia pelo céu, tão alto que homem nenhum pode atingir. E a cada dia que passa, renova suas forças nas palavras expressas nas cores de cada tela.